CONTATOS

quarta-feira, 27 de julho de 2011

DEIXE OS MORTOS ENTERRAR SEUS MORTOS

Tema: SEGUINDO O MESTRE
Texto: Mateus 8
20  Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
21  E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.
22  Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.
Introdução
             
            Mas havia outro homem que também queria seguir a Jesus. Este disse que seguiria o Mestre se Ele lhe permitisse primeiro ir e enterrar a seu pai. A resposta de Jesus foi:  "Segue-me, e deixa que os mortos enterrem a seus mortos." As palavras de Jesus, à primeira vista, parecem tremendamente duras. Para o judeu  enterrar de maneira decente a seu progenitor era um dever dos mais sagrados.  Quando morreu Jacó, José pediu permissão a faraó para ir enterrar a seu pai. "Meu pai me fez jurar, declarando: Eis que eu morro; no meu sepulcro que abri para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, desejo subir e sepultar meu pai, depois voltarei" (Gênesis 50:5).
Definição/discussão
             Devido ao caráter aparentemente severo e até ofensivo desta passagem, deram-se muitas interpretações de seu significado.  Sugeriu-se que na tradução do aramaico, que Jesus falava, ao grego do Novo Testamento, houve  um engano de termos, e que Jesus em realidade lhe disse que bem podia deixar a tarefa de enterrar a seu pai aos coveiros profissionais.
            Há um versículo interessante em Ezequiel 39:15, que diz: "Os que percorrem a terra, a percorrerão e quando algum deles vir um osso de homem, por-lhe-á ao pé um sinal, até que os enterradores o tenham enterrado no vale de Hamom-Gogue."  Este texto sugere que haveria entre os judeus uma classe de funcionários chamados enterradores. Sugeriu-se que Jesus recomendou ao homem cujo pai tinha morrido, que deixasse em mãos desses coveiros a tarefa de enterrar o defunto. Esta é uma explicação muito pouco provável. Sugere-se, por outro lado, que Jesus quis dizer exatamente o que lemos, acusando a sociedade de estar morta no pecado e que recomenda a seu seguidor potencial abandoná-la logo que puder, embora fazê-lo signifique deixar sem enterro a seu pai; nada, nem sequer um dever tão sagrado, devia tardar a decisão de embarcar-se no seguimento de Cristo.  Mas a verdadeira explicação, reside indubitavelmente na forma em que os judeus usavam esta frase, que ainda segue sendo comum, com o mesmo significado, no Oriente Médio.
            O Pr.Wendt relata um incidente no qual teria participado um missionário sírio, M. Waldmeier. Este missionário era muito amigo de um turco jovem, inteligente e rico. Em uma  conversação, recomendou-lhe que ao terminar seus estudos universitários fizesse uma viagem por distintos países da Europa, o que podia ajudá-lo a ampliar suas perspectivas. Mas o turco replicou: "Acima de tudo preciso enterrar o meu pai." O missionário, muito triste, deu seus  pêsames ao jovem, desculpando-se por não ter-se informado da morte de seu pai. Mas o jovem turco sorriu e lhe explicou que seu pai estava bem vivo e gozava de boa saúde e que sua expressão na linguagem local significava que estava obrigado a cumprir todos os seus deveres para com seus pais e parentes antes de poder fazer a viagem sugerida; que, em realidade não poderia abandonar seu lar até depois da morte de seu pai, que poderia não ocorrer até depois de passados muitos anos. 
            Isto, muito provavelmente, é o que quis dizer o homem que aparece no evangelho. Ao dirigir-se a Jesus disse: "Vou seguir-te algum dia, depois que meu pai tenha morrido e esteja livre para dispor de mim mesmo." De fato, então, estava adiando sua decisão possivelmente por um lapso de muitos anos.  Jesus era sábio. Conhecia o coração humano e sabia perfeitamente que se esse homem não se decidia a segui-lo ali mesmo, jamais o faria.
Aplicação prática
            Uma e outra vez atravessamos por momentos de entusiasmo em que nos sentimos impulsionados às ações mais nobres; e uma e outra vez também, deixamos que esses momentos passem de lado, sem agir de acordo com sua inspiração suprema.  A tragédia da vida com muita freqüência é a do momento desperdiçado. Sentimo-nos movidos a uma determinada ação criativa, sentimo-nos movidos a abandonar uma fraqueza ou um hábito maligno, sentimo-nos movidos a dizer uma palavra a alguém, de simpatia, de advertência, de estímulo. Mas deixamos que passe o momento, que se desvaneça a inspiração, e nunca fazemos o que poderíamos ter feito, nunca dizemos essa palavra. Até nos melhores de entre nós há certa inércia e letargia, o hábito de adiar as coisas, de deixá-las para amanhã; e o momento nunca volta, e nunca passamos aos fatos.
            Jesus recomendou àquele homem: "Neste momento você sente que deve sair da sociedade morta em  que você se move. Você diz que a abandonará quando tiver passado alguns  anos e seu pai tenha morrido. Saia agora, abandone tudo hoje, porque de outro modo jamais o fará."  
            Em sua autobiografia H. G. Wells conta um dos momentos cruciais de sua vida. Era aprendiz de lojista, com um comerciante que traficava com tecidos e a vida parecia carecer de toda perspectiva para ele. Então, um dia, sentiu o que ele denomina "uma voz interior e profética": "Saia imediatamente deste ofício, antes  que seja muito tarde, abandone-o, deixe-o para trás." E não esperou voltar a ouvir outra vez a mesma voz. Imediatamente deixou o seu trabalho e começou a procurar outra coisa. A decisão desse instante fez com que houvesse um H. G. Wells. Que Deus nos dê esse poder de decisão para nos salvar de arruinar nossas melhores oportunidades!

Perguntas para discussão
1.      Será que estamos seguindo o mestre como Ele mesmo já nos chamou? Ou estamos acompanhando “de longe”?
2.      Como “deixamos a oportunidade de seguir a Jesus”?
3.      Qual o seu chamado para o serviço do mestre? Socializem suas experiências:

Restauração/ Benefícios

            Ainda há tempo de realmente nos entregarmos ao chamado do Mestre. Sempre precisamos analisar nossas vidas para reposicionar nossas prioridades. Não podemos “estar enterrando nossos mortos” e dar essa resposta como disculpa para o nosso comodismo espiritual. Façamos como Isaías 60 diz “Levanta-te e resplandece” pois só assim “ a glória do Senhor virá sobre ti”.
                 

Referências bibliográficas
            BOL – Bíblia Online.  Bíblia de Referência Thompson. Bíblia da Mulher,             Dicionário Aurélio.
            S.E.McNAIR. A BIBLIA EXPLICADA
            HERBERT LOCKYER. Todas as parábolas da Bíblia. São Paulo. Vida, 2009
            COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY,        NOVO COMENTÁRIO DA BIBLIA
             CARSON.D.A. O COMENTÁRIO DE MATEUS. São Paulo. Shedd, 2010
             WILLIAM BARCLAY  - Título original em inglês: The Gospel of Matthew

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